Itapetininga (SP) completou 256 anos em 5 de novembro de 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) municipal mais que dobrando em uma década, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento econômico acompanha a presença de atividades de diferentes setores na cidade.
De acordo com a prefeitura, serviços e comércio representam 55,4% da riqueza produzida no município, enquanto a indústria corresponde a 25%. A agropecuária direta, apontada como uma das forças econômicas locais, fica entre 7% e 12%.
Empresas de Itapetininga também produzem itens que chegam a consumidores de outras cidades e países. Entre os exemplos estão a marca de roupas Nefertih Clothing, criada pela produtora de moda Laura Paiva, e a Indústria de Alimentos Saudáveis de Itapetininga (Iasi), fabricante de bebida vegetal à base de soja.

As exportações são outro indicador da conexão do município com mercados externos: segundo o Comex Stat, Itapetininga vendeu US$ 451,5 milhões em produtos em 2025. A soja representou 70% desse total, enquanto produtos de outros segmentos também aparecem na pauta exportadora.
Produção de moda sustentável leva o nome de Itapetininga a outros países
A produtora de moda Laura Paiva criou a Nefertih Clothing com a proposta de fazer roupas de maneira diferente do modelo de fast fashion, que, segundo ela, incentiva a produção em grande volume e peças feitas para durar pouco. A marca aposta no slow fashion e em práticas que Laura descreve como sustentáveis, éticas e politizadas.
O período da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, foi decisivo para a iniciativa, de acordo com a designer. Ao menos 80% da produção da Nefertih é feita em Itapetininga; as peças confeccionadas fora do município seguem um processo que a empreendedora caracteriza como mais lento e responsável, acompanhado de perto pela marca.
O slogan “Made in Itapê” aparece em itens como camisetas, bonés, chinelos e meias. Para Laura, a identificação da produção com a cidade também expressa a intenção de valorizar o comércio local e a criação independente, uma das faces da economia de Itapetininga.
Embora a maior parte das vendas fique em Itapetininga e na região do DDD 015, a marca também enviou produtos para outras cidades brasileiras e para o exterior. Entre os destinos citados por Laura estão São Paulo, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, Manaus, Paris e Dublin; em seis anos, peças chegaram ainda a países como Irlanda, Inglaterra e França.
Iasi transforma soja local em bebida vegetal proteica
A Indústria de Alimentos Saudáveis de Itapetininga (Iasi) tinha três meses de atuação no mercado quando a engenheira de alimentos Beatriz Ziglio falou sobre a empresa. O negócio, que antes produzia bebida de castanha fora da cidade, foi transferido para Itapetininga e passou por uma mudança de razão social.
A principal linha da Iasi é uma bebida vegetal proteica e vegana feita com soja comprada na região. Segundo Beatriz, a empresa surgiu para oferecer uma alternativa a bebidas vegetais com maior adição de açúcar e pretende ampliar o catálogo com versões de outros sabores.
Na fábrica, os grãos são recebidos, descascados e moídos; em seguida, são cozidos e processados em um equipamento que extrai a bebida. O produto passa por pasteurização, etapa que, conforme a engenheira, ajuda na conservação da microbiota favorável à alimentação.
A produção era de cerca de 150 litros por mês, com foco em empórios e consumidores das classes A e B da região. A empresa trabalhava para ampliar as vendas e planejava chegar à Grande São Paulo após a assinatura de um contrato de distribuição exclusivo; Beatriz também mencionou procura de famílias de crianças com restrições alimentares e de pessoas idosas que buscam uma bebida rica em proteínas.
Soja lidera exportações de Itapetininga, que cresceram em 2025
Dados do Comex Stat indicam que as exportações do município aumentaram 126,7% em 2025 na comparação com o ano anterior. No mesmo período, as importações recuaram 45,8%, e a corrente de comércio — soma das exportações e importações — chegou a US$ 493 milhões.
A China foi o principal destino das vendas externas, com 71% do total. Na sequência aparecem Holanda, com 4%, Chile, com 2,8%, e México, com 2,3%, segundo os dados do comércio exterior.
Além da soja, a pauta exportadora inclui painéis de partículas de madeira, sucos de frutas, obras de plástico, carne de aves, painéis de fibras de madeira e ovos. Esses produtos mostram a variedade de itens vendidos pelo município a mercados asiáticos e europeus, além da presença predominante de mercadorias ligadas ao campo.


