Ruas de Itapetininga contam histórias de seus homenageados

As ruas de Itapetininga (SP) levam os nomes de personalidades como Campos Salles, Virgílio de Rezende e Francisco Válio. As trajetórias dos homenageados se relacionam à política, à medicina e à educação.

A cidade completou 256 anos em 5 de novembro de 2026. Para marcar a data, a apuração resgatou a origem dos nomes de vias centrais e a relação delas com a história local.

O pesquisador de história regional José Luiz Nogueira explicou quem foram as personalidades homenageadas. Comerciantes também relataram mudanças e aspectos da rotina nas ruas e avenidas de Itapetininga.

ruas de Itapetininga

As vias conectam pontos do Centro e concentram estabelecimentos comerciais e de serviços. A reportagem aborda a origem das denominações, as contribuições atribuídas aos homenageados e as transformações observadas nesses endereços.

Campos Salles: da antiga Rua do Comércio ao centro comercial

Antes de ser chamada de Rua Doutor Campos Salles, a via também teve os nomes de Rua Lambari e Rua do Comércio. Cerca de 20 dias após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, vereadores de Itapetininga decidiram homenagear republicanos e mudaram a denominação.

O nome faz referência a Manuel Ferraz de Campos Salles, quarto presidente do Brasil, que governou o país de 1898 a 1902. Advogado e fazendeiro de café, ele nasceu em Campinas e morreu em Santos; segundo o pesquisador José Luiz Nogueira, não conhecia Itapetininga.

Na região central, a rua reúne lojas de roupas, calçados e eletrodomésticos, além de estabelecimentos de alimentação. O fluxo de pedestres e veículos ocupa com frequência as vagas dos dois lados da via, que também dá acesso ao calçadão, à Praça Peixoto Gomide, a três escolas e à Avenida Doutor Virgílio de Rezende.

Uma das esquinas abriga o restaurante Pavê e Comê, em funcionamento desde 1996. Sabrina Carolina Jardim Lins, responsável pela administração, contou que o negócio surgiu do desejo de Dona Aracy, mãe de seu marido, Eduardo, de vender os doces que preparava; o horário de maior movimento é entre 12h e 14h30, e o restaurante atende famílias de diferentes gerações.

Virgílio de Rezende, médico e educador homenageado

Com cerca de dois quilômetros, a Rua Doutor Virgílio de Rezende homenageia o médico e educador Virgílio de Melo Rezende. Nascido em Sergipe, ele começou a carreira como professor em São Paulo e chegou a Itapetininga por volta de 1896.

Em Itapetininga, Virgílio atendeu gratuitamente moradores sem condições de pagar por consultas e ensinou enfermagem sem cobrar. Na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itapetininga, ministrava aulas diárias; segundo José Luiz Nogueira, exerceu a atividade médica por quase 35 anos e manteve consultório na Rua Campos Salles, número 72.



A homenagem também está presente em um monumento na Praça Siqueira Campos. Na rua, a cerca de 450 metros do Centro, há lojas, clínicas, laboratórios, escolas, restaurantes e a sede da Sabesp, além de uma ligação com a Avenida Professor Francisco Válio.

Frederico Pineda Lechugo é proprietário da Papelaria Pauta, instalada no meio da via há mais de 30 anos. Ele relatou que a região, antes considerada residencial, se tornou majoritariamente comercial e tem movimento intenso de segunda a sexta-feira, enquanto aos sábados fica mais tranquila; a loja funciona das 8h às 18h.

Francisco Válio e sua trajetória na educação e no comércio

A Avenida Professor Francisco Válio recebeu o nome do educador, que morreu em 1946. Natural de São Miguel Arcanjo, ele viveu em Pilar do Sul, onde trabalhou como viajante, e se mudou para Itapetininga em 1921.

Na cidade, Francisco Válio confirmou seus conhecimentos autodidatas na Escola Peixoto Gomide e conseguiu emprego como bancário. Também fundou a Escola Técnica de Comércio, voltada à formação de contadores, e participou da criação da Associação Comercial de Itapetininga, entidade que presidiu e na qual ocupou diferentes cargos de diretoria.

Conhecida popularmente como “avenida das autoescolas”, a via central concentra pelo menos sete estabelecimentos desse ramo. A Autoescola Vieira funciona no endereço desde 5 de novembro de 1987, data que coincide com o aniversário da cidade, e a gerência atribuiu a escolha do ponto à movimentação e à localização estratégica.

A gerência da Autoescola Vieira também relatou um episódio ocorrido durante uma aula de direção: um instrutor precisou parar o carro quando presos fugiram da antiga cadeia pública e passaram em frente ao veículo. A avenida registra movimento durante todo o dia, com maior intensidade no fim da tarde, segundo o estabelecimento.

Pesquisa histórica e memória de Itapetininga

O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga (IHGGI) foi fundado em 22 de junho de 2005, durante uma sessão solene no plenário da Câmara Municipal. José Luiz Nogueira criou a instituição e se dedica há mais de 20 anos a pesquisas sobre a história, as personalidades e as relações familiares do município.

Embora tenha formação em Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nogueira desenvolveu pesquisas de história regional e genealogia com a colaboração de amigos. Ele afirmou que percebeu, durante esse trabalho, que muitos moradores desconheciam episódios da história local, inclusive estudantes e professores que participavam de palestras.

Na semana que antecedeu o aniversário de Itapetininga, em 5 de novembro de 2026, o pesquisador realizou palestras voluntárias em escolas municipais e abriu espaço para perguntas dos estudantes. Nogueira disse que insiste em contar essas histórias para ampliar o conhecimento sobre a cidade.



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